Anterior a década de 50 e até depois em alguns lugares e talvez ainda no norte do Brasil aconteça o que era normal no sul do Brasil...Especialmente em nossa região que ficava longe dos centros maiores...O problema dentário...
Naqueles tempos diziam os antigos, a gente tinha abundância de comida, porém, remédios e roupas... As roupas eram feitas em teares caseiros...Plantavam uma malha de algodão, fiavam e teciam, dava um tecido grosso...Minha mãe que viveu neste tempo contava que as saias queimavam as panturrilhas devido a aspereza...
Quanto ao remédio este era o problema maior...Não havia analgésicos...Toda dor tinha que ser enfrentada na raça...Cólicas gerais, dor de barriga, de cabeça e a dor de dente...Alcancei o fim desta temporada...Vi muitíssimas pessoas com um pano debaixo do queixo e amarrado em cima da cabeça...As vezes ao passar na frente de algumas casas ouvia-se os gemidos devido inflamações dentárias...E o sofrimento era extenso, durava em média 15 a 20 dias até a inflamação rebentar...
A maioria das pessoas tinham cicatrizes no rosto devido a supuração...Dentistas ...Começaram a aparecer alguns práticos lá no final da década de trinta e moravam longe...Anestesia? A onde? Naquele tempo era uma máscara de clorofórmio e era usado só em cirurgias médicas...Os dentes eram extraídos na raça.
E você se queixa da vida que leva...Tem roupas finas, remédios com fartura...Analgésicos tem nos bares, armazéns e nas farmácias sem falar nos postos de saúde com médicos e dentistas a disposição...Imagine ter que aturar uma criança com dor de dente dias e dias e não ter o que fazer?
Muitos corajosos...Amarravam uma linha no dente e se jogavam para trás afim de arrancar...Tal o desespero...O remédio principal era a cachaça...Embebedavam-se as pessoas, grandes e pequenos...Para obter um pouco de alívio...Até o fumo era usado nas cáries dos dentes...
Laudelino Carvalho contou-me que uma terrível dor de dente o fez caminhar dez quilômetros em passo acelerado até o dentista de Itati...Debaixo de um sol escaldante...

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