terça-feira, 13 de setembro de 2016

BAIANO CANDINHO - TRADIÇÃO ORAL

                      Meu pai, Matheus Feijó do Nascimento, criou-se ouvindo a história de Candinho. Era natural de Arroio Carvalho. Algumas vezes o levei para que visse de longe a terra onde nasceu...Apontava a propriedade que naqueles dias pertencia ao Aristides Heberardt ( baratão ). Contava de suas artes de infância e de seu cunhado caçador profissional que ali vivia e chamava-se José Diula ( Juca ).

Dizia que Juca Diula tinha uma parelha de cachorros pegadores que certo dia bateram em uma cobra Muçurana ( caninana ) que estava em cima de uma goiabeira...A cobra foi embrabecendo e os cachorros em baixo latindo...Até que ela resolveu descer...Quando chegou ao alcance dos cachorros mordeu o primeiro que alcançou...E em seguida mordeu o segundo...Ambos caíram mortos imediatamente. A cobra foi morta a tiros. Daí comentava: Dizem que esta qualidade de cobra não tem veneno, mas não é isto que sei. É possível que fosse outra espécie de serpentes. O acontecido foi em Arroio Carvalho onde viviam.

Também contava de sua irmã Rosalina que morreu de família, morava em cima do morro e o parto aconteceu numa grande enchente que houve no início do século XX...Não podendo chamar parteira veio a falecer e foi velada três dias, não podendo conduzir o corpo ao cemitério foi sepultada nos fundos do rancho e está lá até o dia de hoje. No local tem um roseiral que até bem pouco tempo perdurava.

Contava Matheus muitas façanhas do Baiano Candinho, dizia que este não era o nome certo e que por um tempo foi um bom homem mas que as circunstâncias foram levando ele para fazer coisas erradas...Dizia que era homem que não tinha medo e que as autoridades da época tinham medo dele e que por isso desejavam se livrar do Candinho. Muitas coisas que ele não fez atribuíam a ele. 
O velho nunca disse que era desertor, mas que estavam voltando da guerra do Paraguai. Até certo ponto faz sentido, pois a guerra terminou em 1870 e Candinho chegou na colônia em 1871. Bem pode ser que estavam regressando...

Falava o velho Matheus dos Birivas, do Maneca Salvador e França Gross, das queimas de residências , dos roubos de gado e de uma vez que foi afrontado por um homem que quis que ele tomasse cachaça a força, de como o desarmou instantaneamentee a pontapés o jogou do armazém para fora. E especialmente de como fora morto na noite do terno de reis...E comentava que o homem que o degolou afirmou que cortar o pescoço de um homem é a mesma coisa que cortar com faca uma abóbora podre...

Nestas histórias sitou Marcelino k´o´ni  que certa feita com sua argúcia descobriu o roubo de um ladrão esperto que guardava seus roubos dentro do rancho enterrado debaixo do local onde fazia fogo para cozinhar...Marcelino era protestante e certamente conhecia a narração de um personagem bíblico que fez o mesmo quando roubou uma capa babilônia e umas barras de ouro...Escondeu enterrado dentro do rancho...

Aqui em Três Cachoeiras onde me criei conheci vagamente um homem que tinha nome de Juvinhano, já era idoso e conheci alguns de seus filhos...Diziam que era filho do Baiano Candinho. Mariquinha, moradora de Bananeira, neta de Baiano Candinho me disse que sabia da existência desse seu tio e comentava que seu avô Tivera 54 filhos...Talvez fosse uma hipérbole.

Lendo o livro Noite de Reis é como  estivesse ouvindo meu pai contando as histórias de sua terra natal...Como o velho nunca teve ao alcance da mão um exemplar...Sabia dos fatos por ter vivido nas proximidades do acontecido em sua terra e pelo que seu pai transmitiu, seu pai João Feijó do Nascimento, era de 1869 e faleceu em 1939. Conheceu todos os personagens da história de Baiano Candinho. João está sepultado no cemitério dos Magges no Rio do Terra.

Certa feita estive em casa da Sra. Metia ( Metchen ) em alemão quer dizer moça, ela era idosa e morava no Rio do Pinto, Três Forquilhas, em terras que hoje pertence ao que parece aos Santanas.Falando em Candinho me disse: Esta casa que moro é a casa que foi dele e me mostrou furos de balas na parede. Dizia ela que fora na noite da morte de baiano...

Assim narro o que meu pai me passou...Recomendo a leitura do Livro Noite de reis de Osvaldo bastos. O que tenho me foi presenteado pelo historiador Claudio Leal Domingos...





Um comentário:

  1. Sou natural do Vale as Tres Forquilhas...e ouvi muitas "estórias" do Baiano Candinho...
    Sou apaixonada pelo nosso vale que é um dos mais bonitos do Brasil...
    Ganhei o livro e infelizmente ele foi levado pelas águas do rio numa dessas enchentes......
    O senhor teria como fazer uma cópia para mim? Basta que me envie o valor e eu o reembolso sem problemas.
    Sou natural de Itati., mas resido em Santa Cruz do Sul há muitos anos...continuo apaixonada pelo nosso Vale das Tres Forquilhas...
    e consegui passar esse amor para minhas filhas e meu esposo.
    Aguardo seu retorno.
    Maria Regina Brusch Winterle

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